O que é Felicidade

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Desde filósofos e sociólogos a economistas e neurocientistas, o tema Felicidade é pesquisado por diversos especialistas nos quatro cantos do mundo. Saúde, relacionamentos, trabalho, condições de vida, sonhos, conquistas e tantas outras variáveis. Não é o efeito de um único fator que vai afetar o nível de Felicidade de uma pessoa, mas o equilíbrio entre um conjunto de influências.

Como afirmam Melikşah Demir, da Universidade do Norte do Arizona, e Lesley A. Weitekamp, muitas são as variáveis que podem exercer efeitos sobre os níveis de Felicidade, desde aspectos intrínsecos ao indivíduo, como personalidade e níveis de autoestima, a fatores extrínsecos, como família e amizade. Esses conceitos foram publicados em I Am So Happy ‘Cause Today I Found My Friend: Friendship and Personality as Predictors of Happiness.

Nesse artigo, apresentamos diferentes percepções do que é Felicidade e do que nos faz felizes, como revela a pesquisa Caleidoscópio da Felicidade.

Emoções positivas

A Felicidade está estreitamente relacionada a emoções positivas, satisfação de vida e pouco sentimento negativo. Pessoas felizes desfrutam de benefícios sociais, econômicos, com mais atividades e energia devido ao seu estado de espírito positivo. Normalmente, essas pessoas têm maior capacidade de enfrentamento e de autocontrole, dispondo de um sistema imune mais forte e com probabilidade de uma vida longa. 

É o que dizem os pesquisadores Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, Kennon M. Sheldon, da Universidade do Missouri – Columbia, e David Schkade, da Universidade da Califórnia – San Diego, no estudo Pursuing Happiness: The Architecture of Sustainable Change.

Fontes de Felicidade

Ainda que se possa vir a compreender o conceito de Felicidade, o questionamento que mais nos impulsiona está relacionado às fontes de Felicidade. Segundo Richard A. Easterlin, da Universidade do Sul da Califórnia, apresenta em Explaining happiness, essas fontes estão ligadas a um bem-estar subjetivo, podendo envolver variáveis econômicas, níveis de atividade, capacidade de adaptação, objetivos, acontecimentos ao longo da vida e características internas individuais.

Como é de se esperar, fatores demográficos e circunstanciais estão menos relacionados à Felicidade, ainda que eventos como um casamento ou um divórcio possam elevar ou reduzir o nível de Felicidade da pessoa. 

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Nas discussões acerca das fontes de Felicidade, a máxima “dinheiro não traz Felicidade” é reforçada por estudos no campo da Economia. Mais uma vez, Easterlin nos orienta e sugere que um aumento de renda e, por consequência, de bens materiais, não gera um aumento duradouro nos níveis de Felicidade.

Isso pode ocorrer porque tendemos a nos acostumar aos novos padrões, passando a desejar sempre mais e a comparar a situação financeira à de outras pessoas com maior poder aquisitivo.

Ciclo de vida

Ao longo do seu ciclo de vida, explica Easterlin, a pessoa procura maximizar os níveis de Felicidade pela forma como ela usa seu tempo, dedicando grande parte dele à busca de objetivos monetários e não de objetivos de impacto mais duradouro sobre a Felicidade, como vida familiar e saúde. Isso ocorre porque as pessoas não percebem que suas aspirações mudam ao longo da vida, em função da adaptação e da comparação social.

Enquanto para os mais jovens a Felicidade está associada a entusiasmo, pessoas de idade mais avançada a associam à tranquilidade. É o que mostram Cassie Mogilner, da UCLA, Sepandar D. Kamvar, do MIT, e Jennifer Aaker, da Universidade de Stanford, no estudo The Shifting Meaning of Happiness. Isso parece explicar porque as escolhas mais excitantes estão relacionadas ao futuro e, as mais calmas, ao presente. 

Dentre os fatores que afetam os níveis de Felicidade, a pesquisa longitudinal realizada ao longo de 28 anos por Easterlin com o mesmo grupo de pessoas em diferentes fases da vida adulta identificou padrões onde circunstâncias como casamento/divórcio, vida social, saúde/doenças, emprego/desemprego e renda afetam a Felicidade, além da influência exercida pela personalidade e pelos fatores genéticos.

Felicidade subjetiva

A Felicidade é, em si, subjetiva e tem um significado dinâmico, derivando de diferentes experiências emocionais, associadas a diferentes momentos da vida e à cultura na qual estamos inseridos. Esse é um conceito apresentado por Mogilner, Kamvar e Aaker.

Afinal, como disse Sonja Lyubomirsky sobre Felicidade, trata-se, sobretudo, de “uma das dimensões mais relevantes e significativas da experiência humana e da vida emocional, produzindo inúmeros benefícios para a pessoa e contribuindo para uma melhor, mais saudável e mais forte sociedade.”