O que faz você feliz?

Foto: Edu Lauton/Unsplash

O que faz você feliz? Essa é a pergunta que fizemos a várias pessoas para a pesquisa Caleidoscópio da Felicidade. A análise das respostas de 117 entrevistados descortinou um conjunto de diferentes concepções, revelando que não há uma abordagem que traduza, por si só, o significado de Felicidade.

Duas dimensões, no entanto, reúnem mais de 2/3 das respostas: as relações interpessoais e o lazer. Ambas podem ser agrupadas em uma perspectiva única, como veremos mais ao final do artigo. 

Antes, vamos abordar os fatores que mais influenciam os níveis de Felicidade das pessoas que participaram da pesquisa. Também vamos apresentar perspectivas de Felicidade com base na literatura sobre o tema. Afinal, há uma vasta literatura científica para nos ajudar. 

Perspectivas de Felicidade

Talvez você leia a pergunta inicial deste texto e já saiba a resposta. Talvez, antes de dar uma resposta definitiva, você se questione o que é Felicidade. 

Mesmo sendo um tema que desperta interesse constante de pesquisa, o conceito de Felicidade engloba uma multiplicidade de significados e seu estudo, desde tempos ancestrais, nunca foi linear e consensual. 

Afinal, pessoas têm desejos, sonhos, objetivos e valores diferentes umas das outras, o que faz com que a fonte de Felicidade para um indivíduo talvez não seja a mesma para outro. Mas a afirmação do parágrafo acima não é apenas uma conclusão baseada no senso comum ou em lógica. Está apoiada em estudos e pesquisas como os artigos What (and why) is positive psychology? e On happiness and human potentials: A review of research on hedonic and eudaimonic well-being.

Ao longo dos anos, duas abordagens explicativas e distintas de Felicidade têm recebido mais destaque: 

  • a perspectiva hedônica
  • a perspectiva eudaimônica

E o que seriam essas perspectivas?

Bem, você pode ver o resumo no quadro ao lado. Se preferir, pode seguir a leitura e aprofundar um pouco a questão ao longo do texto.

Felicidade hedônica

A perspectiva hedônica vem do grego hedonê e defende a “boa vida”, por meio da maximização do prazer e da minimização da dor. Segundo o estudo Orientations to happiness and life satisfaction: The full versus the empty life, a Felicidade seria a totalidade dos momentos de prazer experimentados por uma pessoa, constituindo-se em um bem-estar subjetivo.

Essa perspectiva engloba o bem-estar em duas dimensões: 

  • Cognitiva: envolve avaliações que fazemos sobre o quão satisfeitos estamos com a qualidade de nossas vidas
  • Emocional: relacionada à frequência de emoções e sentimentos positivos de alegria, prazer ou júbilo. 

Essas definições podem ser encontradas nos artigos Optimizing well-being: The empirical encounter of two traditions e Subjective well-being: The science of happiness and life satisfaction

Felicidade eudaimônica

Além da corrente hedônica, muitos filósofos discutiram Felicidade numa perspectiva eudaimônica. Entre eles, Aristóteles. O filósofo grego alegava que toda atividade humana tem um objetivo e que as pessoas procuram viver de acordo com o seu verdadeiro daimon ou verdadeiro self, em uma existência com significado. 

Eudaimonia é uma palavra de origem grega formada a partir dos vocábulos Eu (o bem ou aquilo que é bom) e Daemon (deus, ou gênio, intermediário entre os homens e as divindades superiores). Na cultura grega, o Daemon seria a entidade capaz de guiar o caminho das pessoas. 

Eudaimonia envolve, portanto, os sentimentos que ocorrem quando nos movemos em direção à autorrealização, para desenvolver nossas potencialidades e conferir propósito à vida, segundo mostram os estudos Cross-cultural perceptions of meaning and goals in adulthood: Their roots and relations with happiness e The implications of two conceptions of happiness (hedonic enjoyment and eudaimonia) for the understanding of intrinsic motivation. Essa concepção pressupõe que a vida com propósito tenha significado. 

A Felicidade no Caleidoscópio

E quais são as variáveis que mais influenciam os níveis de Felicidade dos participantes do Caleidoscópio? Aqui estão: família, amigos, viajar e contato com a natureza. Não temos apenas uma fonte mais indicada, mas essas quatro foram as mais declaradas. Isso reflete a multidimensionalidade do conceito do que é, de fato, Felicidade, em linha com diversas abordagens teóricas. 

Pessoas cujas vidas combinam afeto, qualidade de vida, propósito e autorrealização tendem a declarar-se mais felizes. É o que diz o estudo The eudaimonic and hedonic components of happiness: Qualitative and Quantitative Findings.

Entre os participantes do Caleidoscópio da Felicidade, 88% se declararam felizes ou muito felizes no dia em que foi realizada a entrevista. Suas respostas se alinham, ainda que muitos deles apresentem variadas e diversas características sociodemográficas, traços de personalidade, busca de objetivos pessoais e relações interpessoais. 

Participantes: 117

É sabido que tais variáveis podem afetar, mesmo que moderadamente, os níveis de Felicidade, conforme vimos no artigo Integrating the diverse definitions of happiness: A time-sequential framework of subjective well-being. No entanto, esse aspecto não foi identificado na pesquisa do Caleidoscópio.

Muito do que foi declarado pelos participantes sobre o que os faz felizes pode ser enquadrado em uma perspectiva hedônica, sob uma ótica mais individual, onde relações interpessoais e lazer constituem-se em fontes de afeto e de emoções invariavelmente positivas. Por outro lado, a análise das respostas revelou um percentual pouco significativo de fatores que poderiam ser agrupados sob uma perspectiva eudaimônica.

Os resultados, até aqui, dialogam com achados de pesquisas anteriores ao Caleidoscópio, que apontam a família e as relações sociais como domínios de vida fortemente associados à Felicidade.

E agora, você já sabe o que é Felicidade? Sabe definir o que faz você feliz? Acompanhe nossos artigos e faça uma pausa para aprofundar o assunto. Uma Pausa pra Felicidade.

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