A Felicidade na Dinamarca

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O País do Lego. A terra dos Vikings. A casa da Pequena Sereia, do Patinho Feio e do Soldadinho de Chumbo. O menor dos países Escandinavos. A nação das bicicletas. Região de sustentabilidade. Endereço do primeiro museu sobre Felicidade no mundo.

Tem algo de muito especial no Reino da Dinamarca, sempre nas primeiras posições do World Happiness Report (Relatório de Felicidade Mundial), divulgado anualmente pela ONU. Qual será o segredo desse país banhado pelo Mar Báltico, pelo Mar do Norte e com fronteira ao Sul com a Alemanha?

É o que vamos explorar neste artigo. Fatores, práticas, políticas de alta qualidade centradas no cidadão e hábitos que fazem desse um dos países mais felizes do mundo.

Fatores de Felicidade na Dinamarca

O Instituto de Pesquisa para Felicidade do país, ou Institut for Lykkeforskning em dinamarquês, desenvolveu o estudo The Happy Danes e destaca 8 fatores que contribuem para os altos níveis de Felicidade do país.

1. Confiança. Esse é um valor essencial na cultura e na sociedade dinamarquesa. As pessoas confiam uns nos outros, em termos pessoais e de negócios, e no governo. Corrupção é algo raro. E honestidade é algo esperado da parte de todos.  Isso torna a vida um pouco mais fácil. Até mesmo em termos de segurança pessoal.  É comum crianças andarem sozinhas no transporte público já aos 8 anos ou os pais deixarem os carrinhos de bebê na entrada de um estabelecimento (com o bebê dentro!). As outras pessoas ficam de olho nas crianças para garantir sua segurança.

2. Segurança. O estado cuida do cidadão desempregado, por até dois anos, ou em situação de pobreza. E esse bem-estar social reduz incertezas e preocupações. É um fator de bastante peso, especialmente para as pessoas de menor poder aquisitivo. Essa camada da sociedade dinamarquesa apresenta níveis de Felicidade mais altos que em outros países ricos. A igualdade social faz com que a diferença desses níveis entre pobres e ricos na Dinamarca seja menor.

3. Riqueza. O alto nível de prosperidade da Dinamarca influencia o alto nível de Felicidade da população. A forma como essa riqueza é usada e compartilhada também é um elemento-chave.

4. Liberdade. Ser capaz de decidir e ter o controle sobre a própria vida é essencial para a Felicidade. Poder escolher a vida que se deseja levar traz uma sensação de empoderamento.

5. Trabalho. O que vai além do salário. Relações saudáveis com colegas e chefes, identidade e significado nas atividades desenvolvidas profissionalmente são alguns benefícios. As pessoas têm alto nível de autonomia para exercer suas funções e qualidade de emprego e no ambiente de trabalho.

6. Democracia. Boa governança, participação política alta e índice de corrupção baixo dão aos cidadãos a oportunidade de mudar quando necessário. O voto não é obrigatório e, ainda assim, o comparecimento às urnas gira em torno de 80%. E, embora haja muitos partidos políticos, nenhum apoia o desmantelamento do bem-estar social.

7. Sociedade civil. A Dinamarca tem um dos mais altos níveis de união no mundo, com um grande número de trabalhos voluntários sendo desenvolvidos. Além disso, seus habitantes socializam bastante.

8. Equilíbrio. Há harmonia entre vida profissional e pessoal. Os dinamarqueses têm tempo para família e lazer. A jornada de trabalho é de 37 horas semanais, horas extras não são encorajadas e dificilmente você encontrará pessoas em um escritório às 17h. Em média, o horário de saída do trabalho é 16h. Ainda, são 5 semanas de férias pagas por ano e trabalhar doente é considerado falta de educação. Nesse caso, os funcionários são encorajados a ficar em casa. Cabe ressaltar que a Dinamarca tem algumas das taxas de produtividade mais altas do mundo.

Talvez um fator isolado não cause tanto impacto nos níveis de Felicidade, mas todos eles somados fazem a diferença e tornam a Dinamarca especial. Então, esse é o segredo? É parte dele, mas tem muito mais.

Impostos e igualdade social

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O imposto na Dinamarca é alto e pode chegar até à metade da renda. Além disso, há um imposto de valor agregado de 25% sobre a maioria dos itens e outro de até 150% sobre carros novos. Os dados são do site administrado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Apesar das altas taxas, a maioria das pessoas na Dinamarca não se importa em pagar imposto. Isso porque elas recebem muito em troca: saúde gratuita, educação superior gratuita e ainda acompanhada de bolsa, creche subsidiada, pensão para idosos e visita de cuidadores em casa.

Manter essa rede de apoio é considerada uma responsabilidade de todos por meio do trabalho e do pagamento de impostos para o bem comum. Dessa forma, jovens, idosos, pessoas doentes ou desempregados encontram ajuda do governo quando necessário.

Sustentabilidade

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O respeito pela natureza é uma característica forte na Dinamarca. Em termos de preservação e sustentabilidade, o país foca na energia renovável, na gestão de água, na reciclagem de lixo, no transporte verde e na eficiência energética das construções.

Um exemplo é a ilha Samso, que desde 2007 é 100% sustentável e atualmente trabalha em uma planta de biogás para reaproveitamento de resíduos. Com isso, poderá até abastecer o ferry que a conecta com o continente.

O primeiro ministro do meio ambiente do mundo foi um dinamarquês e 41% da energia gerada pelo país tem origem eólica.

Hygge

Já ouviu falar em Hygge? Pode ser traduzido como um hábito dinamarquês de dar um tempo na correria diária para aproveitar as coisas boas da vida e os pequenos prazeres. Tem um sentido de aconchego, bem-estar e geralmente é praticado com a família e com os amigos. Conversas, café, jogos, caminhadas, contato com a natureza são alguns exemplos. Mas um bom livro ou alguns episódios da sua série favorita também contam como Hygge.

Museu da Felicidade

O Museu da Felicidade, ou Lykkemuseet, inaugurado em 2020 em Copenhagen, é o primeiro do mundo dedicado a esse tema. Foi criado pelo Instituto de Pesquisa para Felicidade e explora por que alguns países são mais felizes que outros. A proposta é abastecer de informações as lideranças e os tomadores de decisões e tornar o bem-estar parte do debate público mundial.

São 240 metros quadrados com exposições sobre a história e a política da Felicidade, experimentos, atividades interativas, vídeos de empresas nas décadas de 50 e 60 tentando definir o que é Felicidade, artefatos doados por pessoas de todo o mundo e até análise da anatomia dos sorrisos em diferentes países. Os visitantes podem, ainda, escolher vivenciar uma ilusão perfeita ou o mundo real.

Algumas curiosidades

Lykke: é a palavra dinamarquesa para Felicidade.

Foto: Febiyan/Unsplash

Bicicleta: as pessoas pedalam em todas as estações, sob chuva, sol, vento, dia e noite. São 12 mil km de ciclovias. Em 2016, o número de ciclistas no centro da capital Copenhagen se tornou maior que o de carros.

Números: a população da Dinamarca é de mais de 5 milhões e 800 mil habitantes, sendo 10% proveniente de outros países. Seu território compreende quase 43 mil m², contando a Groelândia e as Ilhas Faroe, que formam o Reino da Dinamarca. A expectativa de vida é de 83 anos para mulheres e 79, para homens.

Natureza: na Dinamarca nunca se está a mais de 50 km de distância do mar. Além disso, o país tem 5 parques nacionais.

A pequena Sereia, em Copenhagen. Foto: Robert Fisk/Pexels.com

Esporte: o handball foi criado na Dinamarca em 1897.

Literatura: Hans Christian Andersen nasceu na Dinamarca. Dentre seus famosos contos, estão “A Pequena Sereia”, “O Patinho Feio”, “O Soldadinho de Chumbo”, “A Roupa Nova do Imperador” e “A Pequena Vendedora de Fósforos”.

Mulheres: a primeira mulher a ocupar um cargo de ministra no mundo foi Nina Bang, na pasta de Educação da Dinamarca, em 1924.

Maternidade e paternidade: mulheres têm direito a 18 semanas de licença e homens, a duas. Depois desse período, ainda podem dividir um total de 32 duas semanas de folga remunerada.

Gênero: a Dinamarca foi o primeiro país a reconhecer legalmente uniões entre o mesmo sexo, em 1989, sendo que o casamento foi legalizado em 2012.

Gastronomia: 28 restaurantes da Dinamarca receberam estrelas Michelin em 2020.

Trânsito: motoristas, pedestres e ciclistas sempre aguardam o sinal verde para cruzar a rua, mesmo que não haja movimento. E há multas para quem não esperar a sua vez.


Confiança, liberdade, equilíbrio, natureza, igualdade… Com todos esses fatores fica fácil entender por que a Dinamarca está sempre entre os países mais felizes do mundo, não é? Acompanhe nossos artigos no blog e nossos posts diários no Instagram.