As mídias sociais e o paradoxo da Felicidade

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos

Mario Quintana
Foto: Artem Podrez/Pexels.com

As redes sociais aproximam as pessoas, facilitam o compartilhamento de momentos felizes e conquistas com aquelas que gostamos e, especialmente em tempos de pandemia, podem tornar os dias menos solitários. As mídias sociais também são ótimas ferramentas de divulgação do nosso trabalho, da nossa empresa, para networking e quem sabe até encontrar novas oportunidades no mercado.

Sim, as redes sociais trazem benefícios, mas também podem ter um peso negativo. Essas mídias levam à comparação entre as pessoas. E essa comparação social pode ter efeitos sobre nossos níveis de Felicidade. Uma pesquisa recente revelou que o uso de blogs, do Instagram e do LinkedIn estava fortemente associado à comparação social , o que poderia levar as pessoas a acreditar que a vida dos outros seria melhor. 

Depois de abordarmos, no artigo anterior, como as mídias sociais podem afetar, positiva ou negativamente, nossos níveis de Felicidade, falaremos agora sobre a dependência e o medo de perder alguma atualização. Também mostraremos formas positivas de usar as redes.

Comparação social

É possível que, em algum momento, você tenha se sentido menos feliz do que seus amigos nas redes sociais. Não há razão para se preocupar, porque, paradoxalmente, o mesmo se aplica a eles. Uma pesquisa que reuniu quase 40 mil usuários do Twitter confirma esse paradoxo da Felicidade, que refere que pessoas populares nas redes sociais (influenciadores) tendem a ser (ou parecer) mais felizes do que a média das pessoas. Isso acaba distorcendo para cima a média de Felicidade de seu círculo social. 

Foto: mikoto.raw/Pexels.com

Como é bem mais provável que você siga um(a) influenciador(a) de mídia social do que o contrário, o efeito na Felicidade média de seu círculo social on-line é mais elevado, tornando mais provável que as pessoas que não são influenciadores sintam-se menos felizes. A não ser, é claro, que você seja um influenciador de mídia social. 

O paradoxo da Felicidade junta-se ao paradoxo da amizade, que conclui que, nas redes sociais, provavelmente você é menos popular do que os seus amigos. Como destacado na mesma pesquisa, a comparação social pode fazer com que alguém se sinta menos popular na rede, mesmo que tenha mais e muitos amigos fora das telas. Certamente isso também terá um efeito negativo em seus níveis de Felicidade. Isso também não é real!

As mídias sociais e o medo de perder

Uma característica muito comum identificada entre os usuários de mídias sociais é o medo de perder, representado pela palavra FOMO (termo utilizado na literatura em inglês para fear of missing out). Diferentes tipos de FOMO afetam cerca de 75% dos jovens adultos e estão relacionados ao bem-estar psicológico da pessoa. 

Foto por ROMAN ODINTSOV em Pexels.com

Muitas vezes, nas mídias sociais, o FOMO ocorre quando alguém acredita que pessoas em sua rede estão se divertindo sem ela, o que acaba por gerar sentimentos negativos. Ou ainda, ficam ansiosas se outras têm (ou demonstram ter) conexões, amizades e relacionamentos dos quais elas não fazem parte. 

Isso ajuda a explicar o que vários estudos sugerem, de forma consistente, que quanto mais você usa as mídias sociais, menor a probabilidade de você se sentir feliz. A comparação social, o paradoxo da Felicidade e o FOMO, decorrentes do uso de mídias sociais, têm um efeito negativo nos níveis de Felicidade e na autoestima. Além de deixar uma sensação de ter perdido tempo, que poderia ser ocupado com atividades positivas que efetivamente promovem a Felicidade.

Use as mídias sociais de forma positiva

Quando avaliamos o tempo gasto em mídias sociais acabamos ficando surpresos. São muitas horas em aplicativos como Facebook, Instagram , Pinterest e WhatsApp, percorrendo passivamente os feeds e fazendo comparações (muitas vezes negativas) a visões unilaterais da vida de outras pessoas. Isso não apenas desperdiça tempo, como, também, nos isola das pessoas que estamos tentando alcançar virtualmente. 

Foto: Omkar Patyane/Pexels.com

O uso excessivo de mídias sociais, especialmente entre os jovens, está associado a um declínio no sono, na prática de exercícios e nos hábitos de leitura. Deve-se estar atento para que esse uso não interfira em atividades simples como dormir, trabalho, estudos, exercícios, pois mesmo que possa parecer inofensivo, o uso exagerado de mídias sociais pode levar a sintomas depressivos e aumentar a solidão. 

Além disso, o uso excessivo de mídias sociais tem o potencial de gerar conflitos de relacionamento entre casais, decorrentes de um fenômeno novo denominado phubbing, termo em inglês criado a partir da combinação das palavras phone e snubbing (esnobar). O phubbing ocorre quando um indivíduo usa ou se distrai com seu telefone celular enquanto está na companhia de seu parceiro de relacionamento. Estudos apontam que este comportamento frequente impacta na satisfação com o relacionamento e no bem-estar pessoal.

Contudo, deixar de lado as mídias sociais não parece ser nada realista, especialmente para as gerações mais jovens que são apegadas a seus smartphones. Reduzir o tempo nas mídias sociais, no entanto, já é uma boa decisão. Ao gastar menos tempo praticando FOMO, estamos mais propensos a entrar no mundo real e a participar de atividades ou iniciativas que beneficiam nosso bem-estar. 

Estudos sugerem que limitar o tempo nas mídias sociais pode ter um impacto positivo na vida de uma pessoa. Não se trata de usar ou não usar as mídias sociais, já que abandoná-las completamente pode fazer com que as pessoas se sintam isoladas de seus amigos e familiares e, portanto, menos felizes. O que importa é como elas são utilizadas. 

Foto: Gabby K/Pexels.com

Além de tentar reduzir o tempo de uso em cada dia, outras decisões simples são evitar rolar passivamente e resistir a se comparar com outras pessoas. Melhor do que isso é usar as redes ​​para interações diretas e conexão social, como bate-papo e chamadas de vídeo. As mídias sociais devem fazer parte de uma vida equilibrada, que inclua também outras formas de relacionamento social. 

Precisamos estar conscientes de que as mídias sociais têm o potencial de moldar efeitos em nossos níveis de Felicidade. Positiva ou negativamente. Então, agora que você terminou de ler este artigo, que tal desconectar do blog e fazer uma pausa. Uma Pausa Pra Felicidade!

Uma resposta para “As mídias sociais e o paradoxo da Felicidade”

Os comentários estão fechados.