Felicidade na Islândia

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Se você abrir o mapa ou olhar o globo, verá que a Islândia fica lá no topo, uma ilha no Mar da Noruega, próxima à Groelândia. Mas não é apenas na localização geográfica que esse país insular de cerca de 343 mil de habitantes e 103 mil km/m² fica no topo. A terra do gelo, dos vikings e da Björk ocupa sempre as primeiras posições do Relatório Mundial da Felicidade (WHR), divulgado anualmente pela ONU

Nas edições de 2020 e 2021, a Islândia figura como o 4º país mais feliz do mundo. E em termos de percepção de qualidade de vida, outro ranking apresentado pelo WHR, teve uma melhora significativa, subindo do 4º para o 2º lugar no último ano. 

Quais serão os componentes que fazem deste país de vulcões, de mais de 170 piscinas geotérmicas, do sol da meia-noite, da aurora boreal, de gêiseres, geleiras, fiordes, cachoeiras, lagos, praias e parques um dos mais felizes do mundo? O contato com a natureza, um forte senso de comunidade, saúde, segurança, alta empregabilidade e de satisfação com a vida parecem ser alguns desses segredos.

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Na Islândia você encontra um forte senso de comunidade e esse sentimento se estende também para os imigrantes, que somam cerca de 10% da população. Segundo o OECD Better Life Index, 98% das pessoas acredita ter com quem contar em caso de necessidade. É o nº 1 neste quesito, dentre os 40 países avaliados.

Podemos atribuir essa característica ao clima remoto e extremo, que fez com que, desde os primórdios, o povo entendesse a importância da união para a sobrevivência. Essa cultura de uma “grande família” se enraizou profundamente, gerando um senso de preocupação e dever com o outro. Todos têm papéis a desempenhar. No plural, já que os islandeses são conhecidos por serem multitarefas. quando não estão trabalhando, estão realizando atividades na natureza, lendo, escrevendo um livro ou curtindo amigos e família.

Por falar nisso, família e amigos geralmente moram próximos e a ligação entre eles é bastante forte. E a esse contato social pode ser atribuído a principal razão de Felicidade.

O OECD Better Life Index é um índice para uma vida melhor da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD em inglês) e mede o bem-estar em 40 países, levando em consideração o que mais importa para as pessoas ao redor do globo. Para isso, utiliza 11 tópicos e 80 indicadores.

Pode confiar 

Outro fator que pode ser um impulsionador da Felicidade na Islândia são os níveis de confiança. É comum crianças caminhar sozinhas para a escola, mesmo nos dias escuros de inverno. E, assim como na Dinamarca, é comum deixar bebês em seus carrinhos do lado de fora da casa para tomarem sol. Sozinhos.

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Os níveis de criminalidade são extremamente baixos e 86% das pessoas diz se sentir segura para andar sozinha à noite na rua, segundo o índice da OECD. Isso coloca a Islândia na terceira posição neste quesito, dentre os 40 países avaliados. 

Estatísticas indicam o país tem 40 prisioneiros para cada 100 mil habitantes, num total de aproximadamente 144 detentos em todo o país. Crime é algo tão incomum que a polícia não anda armada.

Em termos de riscos climáticos, a polícia de Reykjavik, capital do país, emite alertas por meio de suas redes sociais e rapidamente são acompanhadas pelos moradores. É um bom uso das redes para disseminar informações importantes e alertas de segurança.

Dinheiro não é tudo

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Não vamos esquecer que a economia da Islândia entrou em colapso em 2008 na onda da crise econômica mundial. No entanto, o nível de Felicidade da população permaneceu estável. 

Um estudo longitudinal realizado na Islândia em 2009 avaliou como a queda econômica, redução da renda e aumento do desemprego afetaram a Felicidade. Foram ouvidos quase 6 mil indivíduos, entre 18 e 79 anos. Isso pode estar relacionado ao forte senso de comunidade, à rede de apoio, à segurança de ter com quem contar.

E, mais importante, o estudo mostrou que de 25% a 30% dos islandeses relatou maior Felicidade. Os jovens se disseram ainda mais felizes por passarem mais tempo com suas famílias.

Um dos motivos para os islandeses terem sentimentos mais positivos em relação ao seu país durante a crise foi o fato do governo não investir dinheiro para o resgate dos principais bancos, deixá-los falir, e condenar e prender os responsáveis. Até o primeiro-ministro na época foi julgado. Isso deu aos cidadãos uma sensação de prestação de contas e justiça.

Uma outra pista é que a Felicidade na Islândia não está concentrada entre os mais ricos. Não é sobre uma conta bancária recheada, um alto cargo, carrão do ano ou outro luxo do tipo. Todos parecem estar mais ou menos no mesmo nível de Felicidade, não importa como seja sua vida. 

Talvez uma frase que traduza bem a filosofia de vida islandesa seja:

“þetta reddast!”

Ou seja, tudo vai dar certo no final. 

Seja feliz, sem julgamentos

Foto: Raphael Rychetsky/Unsplash

A Felicidade na Islândia também pode estar ligada à satisfação com a vida e a liberdade de fazer escolhas, sem julgamentos. Um casamento que se dissolve, por exemplo, não é visto como um fracasso, mas como um fato comum da vida. É comum mães e pais criarem os filhos em comum acordo após um divórcio e a participação das novas famílias que se formam também faz parte dessa cultura.

Há uma grande cultura de aceitação e de igualdade. É ilegal, por exemplo, pagar salários diferentes para homens e mulheres em um mesmo cargo. Pais e mães recebem 9 meses de licença maternidade remunerada e esse período pode ser dividido entre o casal da forma que escolherem.

O país está entre os mais evoluídos em termos de direitos humanos, igualdade de gênero, direitos homossexuais, liberdade de expressão e democracia.

Natureza, sua linda!

As belezas naturais e sua paisagem exuberante da Islândia também têm um papel na Felicidade do país. Os islandeses estão sempre em contato com a natureza e aproveitam a vida ao ar livre e nas fontes termais, mesmo no frio.

Quando o assunto é meio ambiente, a Islândia ocupa a primeira posição índice da OECD. A quantidade de partículas poluentes no ar é de apenas 3 microgramas, a menor entre os 40 países avaliados. Enquanto isso, 99% da população se diz satisfeita com a qualidade da água.

A capital Reykjavík é abastecida por energia geotérmica. A empresa que opera a usina estuda tecnologias mais ecológicas para redução de emissões do gás sulfureto de hidrogênio na atmosfera. O limite aceito no país já é três vezes mais rígido do que o aceito pela OMS.

País de escritores

Foto: Priscilla Du Preez/Unsplash

E como se não bastassem todos esses fatores para pavimentar o caminho de uma sociedade feliz, a Islândia ainda tem a seu lado a leitura e a escrita. A literatura está presente na vida dos islandeses, seja como um devorador de livros, seja como um autor. O país publica mais livros per capita que qualquer outro do mundo.

A capital Reykjavík ganhou da Unesco o título de cidade da literatura. Foi a primeira cidade que não fala inglês a receber essa honra e se juntou a outras 49 cidades.

A escolha por livros é tão popular para presentear alguém, que acredita-se que grande parte da receita do mercado editorial seja nas semanas que antecedem o Natal. E a cultura não fica restrita aos livros. São mais de 60 museus e muitos festivais de arte.

Há até um provérbio islandês que diz:

“Melhor andar descalço do que sem livros”

Dona de um inverno rígido e escuro, de erupções vulcânicas e de um terreno que lembra o solo marciano a ponto de receber astronautas da Nasa para treinamentos. Contudo, um país muito feliz. 

Superar as adversidades, ser resiliente, saber aproveitar o melhor de cada situação e encontrar prazeres nas pequenas coisas, como um livro, parece ser uma fórmula que dá certo para os islandeses. Passar tempo com família e amigos importa mais que fazer grandes fortunas. E esta fórmula pode estar mais ao nosso alcance do que imaginamos.

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