Características individuais influenciam a Felicidade?

“As pessoas mais felizes parecem ser aquelas que não têm
uma razão especial para serem felizes. Elas apenas são.” 

William Ralph Inge

Foto: Ava Motive/Pexels.com

Depois de tantos artigos produzidos para este blog e das inúmeras fontes de pesquisas analisadas, poderíamos tentar resumir Felicidade em uma frase: o objetivo maior da vida e a motivação para a busca individual de realização pessoal. Algo inerente a todos os seres humanos. 

Mas será que a perseguição deste objetivo muda de pessoa para pessoa? Será que os traços sociodemográficos influenciam a intensidade dessa busca e os resultados obtidos? 

Este artigo explora e discute os eventuais efeitos das características pessoais na percepção de Felicidade.

Características que fazem uma pessoa mais feliz

Por vezes nos deparamos em filmes, ou mesmo nas redes sociais, com uma concepção estereotipada das pessoas mais felizes, retratadas como ricos, jovens, bem-educados, com relações estáveis e um bom trabalho. Talvez homens. Brancos. Não, definitivamente não há um padrão de pessoas felizes. 

Foto: Nicholas Swatz/Pexels.com

Ainda que as concepções individuais de Felicidade pareçam ser meio “universais”, as influências culturais e sociais podem gerar impactos diferentes na percepção que cada um tem sobre o que é ser feliz. Outras influências como a família, filhos, os amigos, a natureza, o trabalho, pets fazem parte de uma longa lista de elementos associados à Felicidade (a maioria deles já abordados aqui no blog). 

Mas não há características individuais que façam uma pessoa ser mais feliz que outra. Resultados de estudos não identificaram a existência de uma relação significativa entre traços pessoais e nível individual de Felicidade. Portanto, não é porque alguém é negro, branco ou índio, ou mesmo jovem ou idoso, que será mais ou menos feliz. 

Pode-se supor, por outro lado, que a idade pode estar correlacionada positivamente a um nível aumentado de Felicidade, já que à medida que o tempo passa, as pessoas tendem a ter mais satisfação, gratidão e autoestima em função de suas experiências vividas. Quanto mais tempo, mais experiências. 

Além disso, ao avançar na idade, as pessoas tendem a ter uma renda melhor, relações mais estáveis, filhos, o que, em última análise, também influencia o nível individual de Felicidade. Em contrapartida, esse avanço também se traduz por menos tempo ainda por viver, o que poderia “contrabalançar” a Felicidade.

Em suma, não é o perfil sociodemográfico que influencia os níveis de Felicidade de uma pessoa, mas os traços de personalidade e o perfil psicográfico podem afetar essa percepção e a forma de encarar as diferentes experiências da vida, sejam elas positivas ou negativas.

Traços de personalidade e os níveis de Felicidade

Em nossa pesquisa Caleidoscópio da Felicidade, os participantes apontaram diferentes significados de ser feliz e o que os faz felizes. Essa forma como as pessoas encaram e buscam a Felicidade varia entre os indivíduos e alguns traços de personalidade estão fortemente correlacionados a um melhor bem-estar subjetivo. Ou seja, alguns perfis de personalidade podem fazer a pessoa sentir-se mais feliz.

Foto: Kat Jayne/Pexels.com

Estudos apontam que encontrar e trilhar “caminhos pessoais para o bem-estar” depende de algumas características essenciais. Procurar desenvolvê-las pode ser um passo fundamental para aumentar os níveis de Felicidade. 

Em tempos difíceis de pandemia, em que tudo à nossa volta parece ameaçador, é importante que nos concentremos nessas características.

  • Entusiasmo com a vida: rir e se divertir, encarando as experiências de uma forma mais sociável e expressiva, o que tende a gerar maior satisfação com a vida.
  • Controle das emoções: lidar com as adversidades, tentando controlar pensamentos e emoções negativas e os níveis de ansiedade, gera mais estabilidade emocional e reduz os efeitos das situações de estresse.
  • Esforço: pensar no futuro, planejar, trabalhar duro e seguir em frente não está só associado a grandes realizações, mas, também, a um sentimento de domínio e de engajamento na vida.
  • Compaixão: cada pessoa tem suas dores. Preocupar-se com o bem-estar dos outros aumenta o próprio bem-estar.
  • Curiosidade intelectual: ser aberto a novas ideias e desafios nos faz crescer. Buscar resolver problemas complexos, fazer coisas diferentes, adquirir novos conhecimentos nos mantém intelectualmente ativos.

Tais características, ainda que essenciais, exigem mudanças complexas, pois estão ligadas à personalidade de cada um. O que nos faz voltar ao questionamento inicial deste artigo: quais características individuais influenciam os níveis de Felicidade? 

Atitude para encarar a Felicidade

A resposta é simples: não se trata de características pessoais, mas da atitude em relação à Felicidade e à forma como encaramos a vida. Envolve uma mudança na postura atitudinal frente à vida, para gerar efeitos muito positivos em nossos níveis de Felicidade. 

Trata-se de uma atitude que depende de pequenas decisões e ações e que, em algum momento, têm que ser empreendidas, como: 

1. Sentir e expressar gratidão, concentrando-se nas coisas boas da vida e não no que supõe estar faltando. 

2. Viver o presente, pois o passado não vai mudar, o futuro é desconhecido e o presente é o momento em que realmente vivemos.

3. Ser gentil, já que gentileza gera gentileza e nunca haverá um efeito negativo de ser gentil.

4. Usar uma linguagem positiva e concentrar-se no que funcionou e pode funcionar, ao invés de focar no que está errado.

5. Sorrir, pois esta é a linguagem universal que todos entendem.

6. Ser otimista, pensar positivamente, ter esperança no futuro e acreditar que as coisas sempre vão dar certo.

7. Priorizar os valores espirituais, já que esse é o nosso grande legado. 

Nós ainda acrescentaríamos a ideia de fazer pausas, já que elas nos permitem parar e refletir sobre nossa vida e nossa Felicidade. Então, que tal uma Pausa pra Felicidade? Agora!

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