Perdoar para ser feliz

Apegar-se à mágoa é como agarrar uma brasa com a intenção
de jogá-la em outra pessoa, pois é você quem está se queimando.

Buda
Foto: Lina Trochez/Unsplash

Mágoa, eis um sentimento absolutamente inerente ao ser humano. Um sentimento muito difícil de lidar quando alguém que você gosta o magoa. Um sentimento cuja intensidade influencia diretamente o que pode vir depois: raiva, rancor, desejo de vingança. Ou simplesmente perdoar e seguir em frente. 

Se o perdão for um reflexo da força humana e do pensamento positivo, é de se esperar que a relação dele com Felicidade seja significativa. Para entender esses estados emocionais, exploramos, neste artigo, a relação entre perdão e Felicidade e discutimos sua importância para o equilíbrio pessoal. 

Não guardar mágoas é (sempre) melhor

A vida com outros seres humanos significa, às vezes, experimentar mágoas. Quem nunca se sentiu magoado de alguma forma pelas ações ou palavras de outra pessoa? Ou passou por uma experiência traumática? Em casa, na escola, na faculdade ou no trabalho. Situações que podem vir a gerar sentimentos duradouros de raiva, de amargura ou até mesmo de vingança.

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Magoar-se com alguém que você ama e confia tem o potencial de provocar esses sentimentos negativos, que podem criar raízes se você permitir que eles afugentem os sentimentos positivos. Um ciclo indesejado que alimenta a própria amargura e um senso enviesado de injustiça.

Algumas pessoas não sofrem com esse ciclo pois são naturalmente mais indulgentes do que outras. Se você não é assim, isso é algo que se pode aprender, pois não praticar o perdão pode ser ainda mais perturbador. 

Ao abraçar o perdão, você também abraça a paz, a esperança, a gratidão e a alegria. Estados emocionais que, como já vimos em artigos anteriores aqui no blog (Gratidão e Felicidade), podem gerar um melhor bem-estar físico, emocional e espiritual.

O que é o perdão?

O perdão pode assumir diferentes significados para as pessoas, mas geralmente envolve a decisão de abandonar o ressentimento por uma mágoa sofrida e livrar-se dos pensamentos negativos de “dar o troco”. Para muitos é uma decisão simples: “let it go”, “laisser tomber”, “águas passadas”.

Foto: Brett Jordan/ Unsplash

Tão antigo quanto a própria humanidade, o conceito do perdão está consagrado nas religiões como um gesto de valor supremo, um ato de compaixão, de amor e de carinho, que não significa, no entanto, esquecer o dano causado a você ou compensar a pessoa que causou o dano. Mais do que isso, trata-se de uma decisão individual diretamente relacionada a experiências vividas e que traduz um compromisso pessoal com um processo de mudança.

Uma abordagem positiva acerca do perdão aponta para a resolução de situações interpessoais, ao invés da visão tradicional de perdão, que enfatiza um estado de espírito a ser superado para evitar um pior bem-estar mental

Por se tratar de uma decisão difícil para muitas pessoas, deve-se destacar a importância de ter claros os motivos para perdoar (o porquê) e de fazê-lo de uma forma altruísta (o como). Ou seja, perdoar de fato, sem esperar nada em troca. Perdoar como um ato de gratidão pela vida, valorizando muito mais o tanto que ela nos dá e não um evento isolado que nos magoou ou trouxe tristeza em algum momento. Afinal, a vida é um constante movimento. Ficar parado no tempo remoendo mágoas é interromper o curso natural de nossa trajetória terrena e espiritual. 

Não há limites para o perdão. Ele pode ocorrer dentro e entre indivíduos e mesmo entre nações. Afinal, uma sociedade que não consegue perdoar é uma sociedade sem coração e, em sã consciência, ninguém gostaria de viver em um grupo social em que o perdão não é praticado. 

Quais os benefícios de perdoar?

Nem todo mundo percebe o enorme impacto que a capacidade de perdoar pode ter sobre sua Felicidade, mas alguns estudos reforçam esse aspecto, com resultados interessantes sobre os benefícios de praticar o perdão. Agora sabemos, por exemplo, que não existe apenas uma psicologia subjacente ao perdão, mas também uma fisiologia.

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E, de fato, pessoas que perdoam tendem a ser mais serenas, mais felizes e mais saudáveis. Por outro lado, a incapacidade de perdoar e o hábito de ruminar sobre mágoas passadas tendem a nos tornar hostis, além de sérios candidatos a experimentar situações de ansiedade, depressão e neurose. 

É simples assim: quando você se apega a emoções negativas (raiva, amargura, ódio) é difícil experimentar emoções positivas ao mesmo tempo. Não podemos sentir alegria quando experimentamos ressentimento. Não podemos expressar gratidão quando nutrimos raiva. Não podemos ser felizes quando não perdoamos.

Perdoar, abandonando rancores e amarguras, pode abrir caminho para melhora da paz de espírito, além de levar a relacionamentos mais saudáveis e à melhoria da saúde mental. O perdão traz uma espécie de paz interior que ajuda a tocar a vida. 

Perdoar ou não perdoar, eis a questão

Perdoar é uma decisão difícil. É preciso coragem, determinação e compreensão para abandonar os sentimentos negativos quando somos injustiçados. E queiramos ou não, as coisas acontecem e vão continuar acontecendo porque, afinal, temos pouco ou nenhum controle sobre isso. 

Foto: Alvin Mahmudov/Unsplash

Mesmo que a pessoa não esqueça o ato que a magoou ou ofendeu, o perdão a liberta dos efeitos negativos dessa mágoa, podendo gerar sentimentos de compreensão, empatia e compaixão por quem a magoou. 

O perdão é mais desafiador ainda se a pessoa que o magoou não admitir que está errada. Uma forma de enfrentar essa situação é encará-la sob o ponto de vista da outra pessoa, exercitando a empatia. Pergunte-se a si mesmo por que ela se comportou dessa maneira. De que forma você teria reagido se estivesse na posição dela?

Por outro lado, fazer com que outra pessoa mude suas ações, comportamento ou palavras não é o objetivo do perdão. Pense mais no perdão sobre como ele pode mudar a sua vida, trazendo paz e reforçando a Felicidade. 

Voltando à frase do Buda no início deste artigo, quando você decide não perdoar alguém, você está, na verdade, punindo a si mesmo. Quem vai passar pelas consequências dessa decisão, quem vai experimentar um dia ruim, quem vai lidar com o mau humor… é você. 

Lembre-se de que o perdão beneficia muito mais você do que a pessoa que você perdoa. E nem sempre as situações que experimentamos ou as pessoas com as quais convivemos serão positivas. 

Portanto, perdoe sim e faça uma pausa nas mágoas. Beneficie-se do perdão e você certamente será mais feliz com isso. Muito mais.

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