E aí, que tal um café?

“Você não pode comprar Felicidade,
mas você pode comprar um bom café”. 
Autor desconhecido

Foto: Mario Ibrahimi/Unsplash

Quando foi a última vez que você realmente saboreou uma xícara de café? Sim, saborear, concentrando toda sua atenção no café à sua frente? O aroma, a textura, o sabor. Um momento simples. De Felicidade. Com um bom café. 

Pois bem, além do prazer de desfrutar um delicioso café, há alguns benefícios importantes em beber regularmente a segunda bebida mais consumida no mundo. 

Neste artigo vamos conhecer um pouco mais sobre o café, relembrando suas origens, explorando seus efeitos na fisiologia humana e sua relação com a Felicidade. E aí, vai um café?

Uma história de 15 séculos 

Talvez o café tenha sido descoberto por um pastor de cabras das regiões altas da Etiópia, ao se deparar com os animais de seu pequeno rebanho saltitando alegremente em torno de um arbusto de folhas verdes escuras, enquanto comiam suas frutas vermelhas brilhantes. O pastor logo associou que eram aquelas frutinhas do arbusto que estavam causando a euforia peculiar. Ele mesmo experimentou e constatou o poderoso efeito. 

Apesar do apelo de tal lenda, não existem registros oficiais sobre a origem do café. A história dessa bebida começa pela criação do nome, que tem origem árabe. A planta era conhecida como Kaweh e a bebida foi denominada como Kahwah ou Cahue, que significa força, energia. 

Foto: Katya Austin/Unsplash

Da Etiópia, o café foi levado inicialmente para o Iêmen, onde passou a ser cultivado a partir do século VI. Também conhecido como o vinho da Arábia, o café ganhou escala comercial no século XIV, na região de Moka, principal porto do Iêmen, que foi responsável por um dos maiores cultivos do produto no mundo árabe.

Mas foi com as cafeterias que a história do café se tornou tão rica e a bebida passou a ser difundida no mundo. Nessa trajetória, a Turquia exerceu importante papel ao criar, em 1475, a primeira cafeteria, em Constantinopla: o Kiva Han. Com a inauguração do espaço, o café ganhou um caráter social; um conceito que se popularizou mais ainda quando anos mais tarde se criaram cafeterias no Cairo e em Meca.

No Ocidente, a história do café ganhou definitivamente seu charme, sendo romantizado em uma das composições de Johann Sebastian Bach. A bebida chegou à Europa em 1615, em Veneza, pelo Botteghe del Caffè, um dos pontos responsáveis pela propagação das técnicas de torra e de moagem do café. 

Foto: Milo Miloezger/Unsplash

Na Europa, mesmo tratada como especiaria e artigo de luxo, o café enfrentou entraves até a sua popularização no continente. Associada à música e a encontros sociais, a nova “droga do oriente” desagradou aos religiosos no início. Por ser uma bebida de país muçulmano, o café era considerado herege. Para tentar amenizar os embates, o Papa Clemente VIII até propôs que a bebida fosse batizada com o intuito de torna-la cristã. O café só foi “liberado”, no entanto, depois que o próprio Papa provou a bebida. 

Em 1652, na Inglaterra, foi aberta a primeira casa de café da Europa ocidental e, 20 anos mais tarde, coube a Paris inaugurar sua primeira casa de café, tendo sido na França que, pela primeira vez, se adicionou açúcar ao café.

No Brasil, as primeiras mudas de café chegaram em 1727, quando um enviado do governador do estado do Grão-Pará fez uma viagem à Guiana Francesa, onde conseguiu mudas de café-arábico, trazidas clandestinamente para o Brasil. A partir de então, a importância da cultura do café passou a ser tão significativa na trajetória econômica, política e social do país, que o escritor Coelho Neto chegou a cunhar a frase: “a história do Brasil foi escrita com tinta de café”. 

Foto: Blake Richard Verdoorn/Unsplash

Hoje, o Brasil é o maior produtor de café do mundo e os Estados Unidos são o maior consumidor, mas é a Finlândia que tem o maior consumo individual de café. Nesse país nórdico são consumidos, em média, 12 quilos de café per capita/ano, mais do que o dobro do consumo no Brasil (5 quilos per capita/ano). 

Tanto consumo dessa rica e deliciosa bebida escura ao redor do mundo tem que estar relacionado a benefícios, além de unicamente o sabor que estimula nossas papilas gustativas e movimenta nossas memórias de paladar. É o que vamos explorar a seguir.

Benefícios do consumo do café

O café está presente no dia-a-dia da maioria das pessoas, seja pela experiência prazerosa, seja pelo hábito da “hora do café” ou até mesmo para ficar mais desperto. Seja qual for o motivo, o consumo regular de café (e sem excessos) gera benefícios para a saúde física e mental e pode melhorar a qualidade de vida.

Um bom café, pra ficar mais alerta

Foto: Nubelson Fernandes/Unsplash

Um dos benefícios é que a cafeína, o estimulante psicoativo mais consumido no mundo, tem um efeito direto em nosso nível de energia e o café é uma das fontes mais comuns desse estimulante específico. 

A cafeína atua bloqueando a adenosina, um neurotransmissor que causa sonolência. Ela liga-se aos receptores de adenosina, o que faz com que as células nervosas estimulem as sinapses. Como resultado, a glândula pituitária (hipófise) libera hormônios que fazem com que as glândulas suprarrenais produzam adrenalina

E a adrenalina… bem, a adrenalina aumenta os batimentos cardíacos, acelera o fluxo de sangue para os músculos, deixa o cérebro mais alerta, com reações mais rápidas e estimula a memória. Enfim, a adrenalina “liga o turbo”.

Um bom café, pra ficar mais inteligente

Foto: Harry Brewer/Unsplash

Quer dizer, não é bem assim. O café não nos faz mais inteligentes, mas como ele nos deixa mais alertas, ele nos ajuda a manter o foco, porque melhora nossa função cerebral. O resultado é que podemos pensar com mais clareza para solucionar problemas e para tomar decisões mais rapidamente.

O aumento da adrenalina, decorrente da ingestão de cafeína, dilata as vias respiratórias, permitindo respirar com mais facilidade. Isso, por sua vez, pode aumentar os níveis de oxigênio na corrente sanguínea, o que também impacta positivamente na função cerebral. 

Um bom café, pra ficar mais feliz

Foto: Brooke Cagle/Unsplash

Pode até ser que o café não deixe as pessoas mais felizes, mas ele ajuda a prevenir estados de depressão, que são uma ameaça real e sempre presente, especialmente se considerarmos os múltiplos desafios que as pessoas enfrentam desde o início da pandemia. 

Estudos mostraram que pessoas que bebem café regularmente têm 20% menos probabilidade de ficar deprimidas. Um dos motivos é que a cafeína pode aumentar o nível de dopamina no cérebro, uma das substâncias químicas do quarteto da Felicidade, já discutido aqui no Blog. Portanto, o café, pelo menos o tipo com cafeína, pode literalmente deixar você mais feliz.

Por fim, além da cafeína e de outras substâncias químicas potencialmente benéficas, uma xícara de café tem uma boa quantidade de niacina (vitamina B3), que auxilia no rejuvenescimento das células. Diferentes estudos sugerem que beber café regularmente pode reduzir o risco de desenvolver a doença de Alzheimer e ajuda a prevenir outras formas de demência. 

Um bom café, mas sem exagerar

Foto: Artem Beliaikin/Unsplash

Assim como o bom chocolate, que exploramos em outro artigo aqui no Blog, o “bom” café, com os benefícios associados à cafeína, deve ser consumido com regularidade e igualmente com moderação. Doses muito elevadas de cafeína podem ter efeitos colaterais desagradáveis, como ansiedade leve, nervosismo e, o mais notório, insônia.

Não podemos esquecer que o neurotransmissor adenosina, que é bloqueado pela cafeína, é importante para regular o sono. Como a cafeína tem meia-vida de cerca de seis horas, é recomendável evitar beber café no final do dia e especialmente à noite. Afinal, desfrutar de uma boa noite de sono é importante para a saúde física e mental, condições básicas para a Felicidade. 

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