Consumir menos para ser mais feliz

Quando eu compro o mundo fica melhor; o mundo é melhor. E depois deixa de ser. Aí eu compro outra vez”. 

Personagem principal do livro “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”, de Sophie Kinsella

Foto: Andrea Piacquadio/Pexels.com

Becky Bloom encarna um pouco da história de muitas pessoas para as quais comprar é quase uma terapia ou a resposta para muitos problemas, ainda que possa criar outros ainda piores. Fazer compras pode tornar as pessoas felizes por um curto período de tempo, mas, depois, será necessário outro impulso de Felicidade, comprando ainda mais coisas. 

É sobre isso que vamos falar hoje. Neste artigo vamos aprofundar a discussão sobre a relação entre consumo e Felicidade, abordando aspectos que influenciam nosso bem-estar e podem melhorar nosso dia a dia. Ou não. 

O consumo excessivo pode nos tornar menos felizes

Foto: Artem Beliaikin/Pexels.com

Dois pontos são claros na história de consumo da humanidade: 

  • a sedução que a sociedade de consumo exerce sobre as pessoas 
  • a necessidade que elas têm de controlarem seus gastos

Embora possam parecer contraditórios, consumo e controle não são excludentes. O que gera problemas é o excesso. 

O consumo excessivo, seja de comida, de roupas, de produtos eletrônicos ou mesmo de energia elétrica apresenta efeitos negativos óbvios. Em primeiro lugar, é mais caro, pois despende-se mais dinheiro. Segundo, desorganiza as finanças pessoais na medida em que demanda mais dinheiro. Por fim, é nocivo para o meio ambiente, pois gera uma quantidade maior de resíduos que a natureza levará muito mais tempo para processar. 

Ou seja, o consumo excessivo não gera efeitos indesejados somente no nível individual, mas afeta o meu entorno. Entretanto, reduzir o consumo parece ser uma tarefa difícil e adiável para muitas pessoas, mesmo que seja moral e financeiramente aconselhável. 

De uma forma geral, desejaríamos consumir menos, mas não parece que estamos prontos para sacrificar nossa Felicidade para fazer isso. Pois bem, a boa notícia é que isso não é necessário, afinal, uma redução no consumo não precisa determinar uma redução no prazer e no nosso nível de bem-estar. 

O consumo como um comportamento social 

Algumas vezes, a maneira como medimos nossa posição social tem consequências de longo prazo, influenciando nossos níveis de Felicidade e grande parte de nossa satisfação pessoal com a vida. Nesse contexto, é comum o comportamento de consumir para ostentar. Ou seja, não é o consumo que gera a satisfação, mas o fato de ostentar o ato ou o produto do consumo. 

Foto: Negative Space/Pexels.com

Consumir baseia-se muito na comparação que fazemos em relação aos outros. Algo como se nossas referências de consumo estivessem centradas nos outros, o que pode levar pessoas de diferentes formações e condições socioeconômicas a atribuir valores totalmente diferentes aos mesmos objetos materiais. 

Isso não é uma peculiaridade do ser humano, mas uma característica inerente a ele, que usa bens de luxo para exibir seu status social. Bens que não necessariamente agregam ao seu bem-estar pessoal e ainda podem até fazê-lo sentir-se menos feliz. 

Nossa tendência, individual e coletiva, de nos compararmos àqueles que (aparentemente) têm mais nos faz esquecer daqueles que têm menos. Com isso, sentimentos de descontentamento social podem surgir ou aumentar com a crescente desigualdade, levando as pessoas a lutar para manter sua posição social, tornando-as insatisfeitas com um estilo de vida mais sofisticado.

Reduzir para aumentar 

Em geral, tendemos a pensar que ter várias opções de escolha à disposição é sempre melhor. No entanto, buscar maximizar sempre cada escolha pode nos prender a decisões que realmente podem não ter tanta importância, como qual calça ou qual sapato usar. Decisões cujos resultados pouco impactam em nossos níveis de Felicidade. 

Foto: Artem Beliaikin/Pexels.com

Reduzir o número de escolhas que fazemos todos os dias pode ajudar a aliviar os níveis de estresse e liberar tempo e energia mental. Isso reduz a ansiedade e nos deixa mais leves. Uma ideia, para começar, poderia estar relacionada a gastar menos tempo decidindo o que vestir, afinal escolher roupas consome tempo. 

Há enormes vantagens em adotar uma postura minimalista, mudando o seu guarda-roupa por um vestuário mais casual e utilitário. Perde-se menos tempo decidindo o que vestir, gasta-se menos dinheiro com roupas e economiza-se tempo para lavá-las.

Em lugar de uma busca permanentemente orientada para o consumo, podemos nos redirecionar para os benefícios de alternativas de satisfação com a vida, que são mais gratificantes e economicamente sustentáveis. Decisões tão simples como ajudar em lugar de consumir. 

Diversos estudos apontam que o altruísmo gera Felicidade e produz um ciclo positivo que leva a mais altruísmo (leia o artigo Generosidade de Felicidade aqui no Blog). Ajudar os outros estimula a atividade cerebral que leva a sentimentos de Felicidade. Mais ainda do que o ato de consumir. 

Ser feliz é o que importa

Quando perguntamos às pessoas o que as faz felizes ou o que é importante para elas, tendemos a obter respostas sobre o significado dos relacionamentos, sobre ajudar outras pessoas ou sobre usar seus talentos para ajudar o mundo. Ninguém diz que quer consumir mais, como se isso pudesse torná-las mais felizes.

Compreender o que realmente faz você feliz pode ajudá-lo a evitar um estilo de vida construído em torno da maximização do consumo. Concentre-se em compras que mudam a maneira como você usa seu tempo. Para avaliar o efeito que uma compra poderá exercer sobre seu nível de Felicidade, pergunte-se antes: “Como essa compra vai afetar o modo como eu uso meu tempo em um dia comum?”

Como já destacamos no artigo Dinheiro e Felicidade, aqui no Blog, se você achar que o consumo pode fazê-lo mais feliz, considere três aspectos determinantes para isso:

  1. Prefira consumir experiências, não produtos físicos ou bens materiais 
  2. Invista em tempo. No seu tempo
  3. Invista nos outros. Em lugar de consumir, prefira ajudar
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Portanto, para desfrutar da Felicidade pense no que realmente importa. Invista seu tempo e dinheiro em atividades que são significativas para você e que fazem a vida valer a pena. Pare de se preocupar sobre quais produtos (de luxo ou não) você vai comprar. Concentre-se em quão afortunado você é com vida, com sua família, com seus amigos. Consuma os bons momentos!  

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