Até onde a política afeta nossa Felicidade

“É impossível que o todo seja feliz a menos que todas, ou a maioria ou mesmo algumas de suas partes, sejam felizes.”

Aristóteles
Foto: ThisisEngineering RAEng/Unsplash

Ler muitas notícias sobre política não é algo positivo para o nosso bem-estar. A tendência de sermos expostos a uma avalanche de notícias, especialmente em ano eleitoral, pode afetar nossos níveis de Felicidade e mesmo nossos relacionamentos. 

Mas até que ponto a política nos faz mais ou menos felizes? Ela pode ser mais importante do que as pessoas para nossa Felicidade? 

Neste artigo tratamos dessas questões e assumimos um posicionamento definitivo: não importa o lado político, o que importa é sermos felizes.

A Felicidade e o equilíbrio entre convicções políticas e relações pessoais

Um dos ensinamentos centrais do budismo está relacionado ao desapego, ou seja, livrar-se de coisas, pensamentos e ideias que impedem nosso crescimento espiritual e nossa Felicidade. 

Foto por THu00c1I NHu00c0N em Pexels.com

Para isso, precisamos examinar honestamente quais são os nossos apegos. Dinheiro? Poder? Política? Crenças? Hábitos? Opiniões?

Analisar essa questão a partir da perspectiva da política, de eleições e de seus candidatos pode nos permitir compreender, ou pelo menos ter consciência, dos efeitos indesejados que tal apego pode gerar em nossas vidas e em nossos níveis de Felicidade. 

À medida que as eleições presidenciais se aproximam no Brasil, muitas pessoas apegam-se às suas convicções políticas como se fossem verdades absolutas. 

Algumas delas ficam de tal forma obcecadas com suas crenças que reagem agressivamente quando alguma ideia lhes parece ser contrária. 

Mesmo que não seja assim percebida, esta é uma fonte de sofrimento para pessoas politicamente obcecadas, assim como para aqueles com os quais elas convivem, o que pode afetar negativamente os níveis de Felicidade de todos. 

A Felicidade e o envolvimento pessoal com a política

A relação entre Felicidade e o envolvimento com política foi examinada em algumas pesquisas e as evidências indiretas não se mostram muito animadoras.

Foto: Roman Kraft/Unsplash

Pesquisadores da Universidade de Amsterdam analisaram os efeitos de notícias acerca de disputas políticas e descobriram que, em média, o bem-estar individual reduz-se em 6% para cada programa de notícias televisivas assistido semanalmente. 

Esse efeito negativo é explicado em função da impotência que os espectadores podem sentir diante do que eles consideram ser más notícias. 

De fato, é difícil imaginar que notícias sobre o cenário político no Brasil tenham um impacto positivo, especialmente considerando-se a polarização dos “apegos” quando o tema é, por exemplo, eleição presidencial. 

Essa visão da negatividade das notícias e da nossa impotência frente a elas pode, sem dúvida, afetar os níveis de bem-estar de uma pessoa que se depara com algo que ela considera negativo, mas que não tem como mudar ou interromper. 

Foto: Glenn Carstens-Peters/Unsplash

Ou seja, o clima de disputa partidária, a polarização da mídia e os debates políticos acirrados podem interferir diretamente nos níveis de Felicidade.

Pesquisadores americanos descobriram, em um estudo que analisou perfis de namoro online, que as opiniões políticas de uma pessoa podem ser tão importantes quanto seu nível de educação para a escolha do parceiro romântico. 

Os resultados da pesquisa sugerem que se a questão política é tão relevante a ponto de impedir o amor romântico, ela tem igualmente o potencial de afetar negativamente a Felicidade. 

Pessoas são mais importantes do que a política

Chegar a um ponto em que divergências políticas tenham a capacidade de comprometer amores, amizades ou até mesmo laços familiares deve ser considerado meio insano. Ou, de uma forma mais simples, o quanto podem ser negativos os níveis de apego político para as pessoas.

Foto por Christina Morillo em Pexels.com

Não é fato raro termos conhecimento de casos de pessoas que deixaram de falar com um amigo ou com um membro da família por causa de discordâncias acerca de convicções políticas, seja em defesa de um partido ou de um candidato. E mesmo quando as pessoas concordam politicamente, o hábito de expressar opiniões intensas ou de alimentar o debate sobre política pode afetar negativamente os relacionamentos. 

Evidentemente que não devemos parar de prestar atenção à política, nem tampouco deixar de ser ativos no processo político, mas as pessoas que nos são caras não podem ser menos importantes do que a política ou suas notícias.

Para não afetar negativamente a qualidade de vida (nossa e dos outros), seria recomendável colocar limites no tempo e na energia emocional dedicada à política. 

Algumas atitudes muito simples podem ajudar:

  • Envolver-se mais e reclamar menos, voltando-se mais à sua comunidade e procurando trabalhar com outras pessoas para promover mudanças positivas, em lugar de apenas assistir a notícias e reclamar sobre isso. Ou seja, reduzir a negatividade e a impotência frente aos problemas.
  • Reduzir o tempo destinado ao consumo de notícias sobre política. A menos que ela seja sua vocação, 30 minutos por dia é mais do que suficiente. Não há razão para assistir ou escutar notícias que se repetem de manhã, no almoço e à noite. Podemos aproveitar melhor nosso tempo.

Depois de reduzir o tempo ou de se afastar um pouco do debate político, você provavelmente começará a perceber quanto de sua energia estava sendo desperdiçada e o quanto você pode se sentir melhor sem essa negatividade.

É claro que cada um de nós tem suas opiniões políticas, muitas delas fortemente defendidas. Cada um de nós também está convencido de que está certo, mas deixar esses pontos de vista dominarem nossos pensamentos, nosso tempo e nossas conversas pode prejudicar nossos relacionamentos e nossa Felicidade. 

Podemos ser mais felizes se seguirmos os ensinamentos do Buda e nos desapegarmos um pouco da defesa de nossas convicções políticas.

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