Os ciclos da vida e a Felicidade

Foto: Bankim Desai/Unsplash

Você nasce sem pedir e morre sem querer. 
Aproveite o intervalo!
(autor desconhecido)

A vida é feita de ciclos. Muitos! Curtos, longos. Todos com um início. Todos com um fim. No entanto, apesar desta certeza, não parece que estamos preparados para um fim de ciclo, seja ele curto ou longo. 

Felicidade também é saber lidar com “um fim”, com serenidade e leveza. Afinal, a certeza todos temos. Mas como encarar os vários fins? Como ser feliz quando algo positivo termina? 

Neste artigo nós exploramos a relação entre os fins de ciclos em nossas vidas e o bem-estar subjetivo, ou como a visão de fim e início, ao invés do contrário, nos ajuda a ser feliz.

Os ciclos da vida

Todos nós já passamos por inúmeros e diferentes ciclos. Em algum momento de nossas vidas, algo de que tanto gostávamos chegou ao fim. Seja um relacionamento, um trabalho ou uma experiência. E quando termina, nem sempre é fácil. Apesar de sabermos disso, ainda temos muita dificuldade para lidar com finais. 

Basta prestar atenção à natureza. São diversos ciclos à nossa volta que têm um fim. Tudo acaba. Cada estação do ano termina, cada folha cai de uma árvore, cada chuva passa. E volta. E passa… 

O que muitas vezes deixamos de ver é que não é apenas um fim, mas também um novo começo. Quando a árvore cai, depois de anos de bons serviços prestados à natureza, ela inicia um novo ciclo, transformando-se em um novo lar para flores, borboletas e novas formas de vida.

O mesmo é verdade quando as coisas boas terminam em nossas próprias vidas. Elas têm um fim para dar lugar a novas coisas que virão. É um processo de transformação, ainda que, muitas vezes, não consideremos assim.

Cada fim de ciclo são novos inícios

Quando uma viagem inesquecível termina e temos que retornar ao nosso (feliz) cotidiano, podemos vir a sentir uma certa melancolia, afinal a experiência daqueles dias de prazer e descobertas chegou ao fim. 

Foto: ROMAN ODINTSOV/Pexels.com

Não, não é um final, mas mais um novo ciclo que se inicia em nossas vidas. Um ciclo que começa com a gratidão de termos vivido aquela experiência e de termos voltado, de alguma forma, transformados. 

Daquela experiência há boas recordações, aprendizados, histórias para contar, planos para uma nova viagem. Quando um ciclo termina, já estamos vivendo outro. Essa é a alegria de viver

Como traduzida por uma frase atribuída a Nelson Mandela: “A maior glória de viver não está em nunca cair, mas em levantar-se toda vez que caímos”, seguindo em frente, afinal novos ciclos virão.

Não valorizar o fim, mas sim a oportunidade de (re)iniciar

Lamentamos o fim de um ciclo porque não percebemos (ou deixamos de valorizar) que outro se inicia. Na nossa balança da gratidão será que não estamos colocando demais o peso na palavra fim e de menos na palavra (re)início? Será que não estamos sendo ingratos pelos ciclos que vivemos e pelos que ainda vamos viver? 

Foto: Clemens van Lay/Unsplash

Se pensarmos em tantas coisas de nossa vida que já concluíram seus ciclos e nas possibilidades que a maioria delas abriu, teremos muitos motivos para sermos gratos. E a eventual melancolia que reveste os “fins” será substituída pela positividade e pela esperança dos “inícios”. E que bom que é assim, pois assim é a vida. Vivida em ciclos. 

Todo fim abre caminho para novos começos. Da próxima vez que nos depararmos com um “fim”, não vamos lamentar porque acabou, mas alegrar-nos porque aconteceu. Ser grato por ter vivido e pensar na oportunidade que pudemos aproveitar as trocas, as experiências adquiridas, as boas recordações. E, é claro, olhar para a frente. 

O segredo da Felicidade está em fluir entre os ciclos da vida 

Quando pensamos em nossa Felicidade, o olhar, no entanto, é quase sempre retrospectivo. Nós não avaliamos o quanto somos felizes pelo que ainda não vivemos, mas pelas experiências passadas. Contudo, há uma dimensão que por vezes esquecemos (ou, novamente, não valorizamos). É essencial viver, sentir e valorizar o presente, a Felicidade naquele momento. 

Foto: Zachary Keimig /Unsplash

Às vezes, alguém está aproveitando sua refeição favorita, tentando relaxar depois de um dia estressante, com uma boa música ao fundo, mas sua mente se desvia para algumas das coisas desagradáveis ​​que aconteceram naquele dia. 

Novamente, com um olhar retrospectivo, a avaliação de Felicidade pode ser mais influenciada pelos momentos passados e não pelo prazer do momento que se vive. O momento do aqui, agora.

Viver o momento presente é essencial para uma vida feliz. Pelo menos desde uma perspectiva hedônica de Felicidade. Quando vivemos uma experiência positiva e agradável é bem provável que estejamos sintonizados com os sentidos do nosso corpo e mente e não queremos que ela termine. 

Por outro lado, uma experiência mais negativa, marcada por contratempos, dor ou sofrimento é aquela que queremos que termine o mais rápido possível. Ou seja, queremos que o presente termine logo.

E assim é o presente. Quando o olhamos com os “óculos do tempo”, ele se apresenta apenas como uma ínfima e fugaz dimensão, espremida entre o passado e o futuro. Quando ele finalmente chega, rapidamente vai para o passado. Em ciclos.

Futuro, presente, passado. Sabemos que os ciclos da vida têm um início e um fim. A infância, a adolescência, alguns relacionamentos, um ou outro emprego, os Beatles, o Fusca… 

Agora, por exemplo, são inúmeros os ciclos que estamos vivendo. Todos eles tiveram, evidentemente, um início e, sabemos, vão terminar. Até o próprio ciclo da vida. Portanto, tenhamos em mente a importância de valorizar e de aproveitar “intervalo”. 

“Tudo está bem quando acaba bem”
(Shakespeare)

E nesse intervalo, lembre sempre de fazer pausas, muitas pausas. Pausas pra praticar a gratidão, pra perceber todas as coisas boas que cada ciclo nos trouxe, pra curtir a família, os amigos, os pets. Pausas pra literatura, pros hobbies, pra arte. Pausas pra cuidar da saúde, pra cheirar as flores, pra tomar café e comer chocolate. Pausas pra cuidar do jardim, pra abraçar, pra ver filmes, pra praticar esportes e andar de bicicleta.

São todas uma Pausa pra Felicidade.

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